4%20adolescentesMesmo com acesso a tantas informações, os adolescentes do século XXI ainda tem algumas dificuldades em conversar com os pais sobre relacionamento amoroso. A globalização, responsável pelo intercâmbio de informações, aproxima cada vez mais os jovens da realidade sexual do mundo.

O primeiro beijo, a primeira vez e até mesmo o primeiro namorado são assuntos cada vez mais presentes na vida dos pais e dos adolescentes. Entretanto, engana-se quem pensa que este tipo de conversa é comum no cotidiano das famílias brasileiras.

Muitos adolescentes ainda sentem dificuldade de contar sobre que se passa de fato na vida sexual. Alguns jovens reclamam que os pais querem fazer parte da vida dos filhos como se fossem amigos, outros acham que os pais evitam falar sobre o assunto porque é uma maneira de adiar as transformações que estão acontecendo. O fato é que a sociedade não adaptou-se a este novo modelo de educação.

Os adultos de hoje foram criados em um padrão tradicional de educação familiar. Falar sobre beijo, relacionamento ou sexo, não fazia parte do manual das antigas famílias. Com as constantes mudanças sociais, os pais devem conversar sobre a sexualidade cada vez mais cedo com o filho. Especialistas recomendam que as conversas sejam estimuladas a partir do primeiro relacionamento – amigos, vizinhos, colegas -, para que haja confiança no âmbito familiar.

Os adolescentes costumam relatar o primeiro contato sexual para um amigo devido a falta cobranças. As conversas que surgem após os relato são provenientes da curiosidade e falta de experiências que os mesmos possuem. Os pais escutam as novidades e instantaneamente acrescentam as broncas. Alguns psicólogos recomendam que os mesmos contem como foram suas primeiras experiências, para que os filhos sintam que apesar da cobrança existe também a troca de informações.

Mesmo com a revolução sexual, muitos tabus ainda precisam ser quebrados. O modelo machista que se reproduz na sociedade, ainda não permite completamente que as futuras mulheres andem com preservativos dentro das bolsas, ou que as mesmas tomem iniciativa na hora H. A concepção de que as meninas precisam ser virgens, também continua bem presente na reprodução do diálogo familiar, por isso constitui-se uma barreira em volta do relacionamento entre mãe, pai e filha.

Outro problema que constantemente está associado aos meninos é a cobrança. Tem que ser bonito, beijar bem e dar um show na cama, assim prossegue o discurso informativo reproduzido durante século pelos pais. O menino não pode ser virgem, ele precisa ser o garanhão para ser o melhor entre as mulheres. Sensibilidade não combina com o sexo masculino, para os pais isto é motivo de preocupação e o pior isto pode ser sinônimo de outra coisa, homossexualidade.

A homossexualidade é outra questão pouco desenvolvida. Com medo de estimular os jovens a conhecer outras opções, os pais evitam tocar nesse assunto. Não falar, representa, no contexto de conservação social do Brasil, não estimular. O mesmo acontece com o sexo oral, anal e os assessórios sexuais que estimulam a relação, que não é explorado no diálogo familiar, por que durante muito tempo foi convencionado que estas práticas não eram direitas nem católicas.

Saber o que se passa com os filhos é tão importante quanto informá-los sobre a realidade, mas é preciso que lembrar que eles já tem aulas de educação sexual na escola, os jovens querem é um espaço de confiança, na qual orientação e amizade andem de mão dadas.

Jéssica Brandão