Quem nunca conjugou este verbo, que atire a primeira pedra.

 

Eu julgo

Tu julgas

Ele julga

Nós julgamos

Vós julgastes

Eles julgam

 

Errar, generalizar e julgar é um defeito do ser humano, e isso todo mundo já sabe. Mas se achar o dono da verdade sobre todos que possuem características parecidas é burrice.

Ontem em um passeio pelo centro histórico de Salvador, eu, meu namorado e a galera da faculdade encontramos um burro que se perdeu do rebanho. Desculpem-me a ironia e a generalização, mas ela é necessária neste caso.

Achar que toda criança de rua, que não tem acesso a educação de qualidade é um trombadinha, mal caráter e drogado é um pouco demais vocês não acham? Talvez eu esteja equivocada quando cometo a generalização ao personagem central desta narrativa, mas alguns políciais acreditam em todas as “verdades” que foram citadas anteriormente.

No meu passeio ao pelourinho, encontrei um menino que não passava dos seus 12 anos, ele como muitos dos garotos de ruas possuem suas necessidade e as vezes entram nesta vida porque precisam ajudar as suas famílias. Pois é, esse garotinho, tem uma mãe doente e precisa sempre de dinheiro para comprar uma lata de leite, pois seu irmão caçula precisa comer. Meu namorado desta vez tentou ajudar da maneira que podia, conversou com o menino, perguntou se estava estudando, enfim quase o histórico completo, logo depois deu uma quantia em dinheiro para comprar o leite.

Mesmo com o choque de realidade, aquilo poderia ter passado em nossas vidas como uma história qualquer. Entretanto o polícial da história, veio em nossa direção e nós disse que “aquele” tal menino era apenas mais um drogado do pelourinho, o dinheiro que ele havia pedido não era para o leite e sim para uma pedra de craque. ‘O chão abriu sobre nossos pés’, não pelo dinheiro que tinha ido embora, mas por que de uma maneira ou de outra, nós estávamos ali contribuindo para o vício e para a morte de mais uma criança.

 

Minutos mais tarde…

 

Encontramos o mesmo menino, no mesmo local, saindo da farmácia não com uma, mas com duas latas de leite na mão…

 

Por Jéssica Brandão