“Passar uma tarde em Itapuã”, como poetizou Toquinho e Vinicius de Moraes, sem ao menos fazer uma visita a Lagoa do Abaeté é não querer desfrutar da beleza natural que este parque pode oferecer. Localizado no Bairro de Itapuã, em Salvador, o parque do Abaeté foi criado em 3 de setembro de 1993. Entretanto, em decorrência da urbanização e revitalização do local, hoje se tem mais um ambiente que sofre impactos ambientais. O parque é um espaço que não conseguiu fugir da poluição sonora.
O Abaeté oferece várias opções de Lazer a Baixo custo. A reserva natural possui quiosques alimentícios, ciclovias, parque infantil, pedalinho, a casa da música e das lavadeiras, além, é claro, da própria lagoa. Em virtude dessa diversidade de atrações, da quantidade de pessoas que o parque recebe e das manifestações culturais que são realizadas na região, aumenta-se gradualmente, as agressões ambientais deste parque.
O ambiente, que tem suas tardes de sábados e domingos embalados pela música popular brasileira como: arrocha, pagode, forró, samba de roda e outros ritmos, possui dificuldades para administrar a diversidade de canções que são tocadas por dia. A mistura de ritmos, provocada pelos bares da área pavimentada do parque, tem causado muito barulho para os moradores e visitantes do lugar, o que perturba não só adultos como também as crianças e idosos. “O barulho tanto incomoda que é a primeira vez que eu estou passando por aqui. Ele escuta música de ninar e quando escuta outro tipo de som fica agoniado”, é o que declara a mãe e professora Naise Sales, 25 anos, quando se refere ao filho.
Segundo a Superitendência de controle e ordenamento do uso do solo e do município (Sucon), os níveis máximos de som permitidos em ambiente durante o dia são: das 7h às 22h, 70 decibéis (dB) e, durante a noite, das 22h às 7h, de 60 dB. Decibéis é medida utilizada para determinar os níveis e freqüência do som.
No Abaeté os quiosques ficam localizados muito perto uns dos outros. Cada barraca utiliza o limite máximo permitido pela Sucon e, no conjunto, o som alcança um volume superior ao permitido. Os moradores próximos ao local não reclamam tanto do barulho produzido pelo parque. As reclamações, normalmente, acontecem porque o ruído provocado pelas pessoas que freqüentam o Abaeté acaba se propagando pela região. E os carros, maiores produtores da poluição sonora, acabam contribuindo também com o barulho nos barzinhos.
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2006, Salvador é hoje a 4º cidade mais poluidora do país, e os bairros populosos são os que mais contribuem para isso. Como resposta a essa situação, a Sucon há mais de um ano está produzindo uma campanha de conscientização nos bairros populares, realizando oficinas que ensinam as pessoas a terem responsabilidade social. É o que diz o chefe de fiscalização de poluição sonora Alcir Rocha, ao afirmar que “nós alcançamos um resultado muito bom. Muitas reclamações diminuíram e as pessoas estão tomando consciência”.
A luta contra os agentes que poluem o meio ambiente é constante. Ainda segundo a Rocha, desde a criação da lei municipal nº. 5.354/98, a emissão de sons e ruídos da cidade foi controlada significativamente. Entretanto se de um lado o controle sonoro ajuda a reduzir os impactos ambientais, de outro prejudica a geração de renda dos comerciantes locais. As pessoas se sentem atraídas pela música e festividades do Abaeté, é o som que seduz o visitante. “Se não tiver a música não tem clientela”, diz o ambulante Antônio Teles, 53 anos.
O trabalho realizado pela Sucon e organizações não governamentais como a Nativos de Itapuã, tem apresentado resultados significativos. As festas de carnaval e réveillon que aconteciam há mais de 50 anos foram retiradas do parque, para que houvesse uma redução de impactos ambientais nessa área, mas ainda assim é necessário cooperação e conscientização para resolver esta questão.
Por: Jéssica Brandão