Julho 2007


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O ciúme da unicidade,
afeta a alma da exclusividade.
É o segredo do ser,
que oculta quem tu és.

O disfarce mal acabado,
mascara a vida dos desolados.
Não, talvez,
na dúvida sempre se esconde de mim.

É na verdade mentirosa
e nos sonhos assombrados,
que eu descubro teus caprichos.

Sou e não sou,
a fantasia me torna assim.
Clara como uma açucena e vermelha como o carmim

Jéssica Brandão

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Não foi desta vez que a fênix renasceu das cinzas, mas ela deve está feliz esteja onde estiver. Morreu hoje na Bahia aos 79 anos de idade Antônio Carlos Magalhães, o atual senador da República Federativa do Brasil faleceu às 11h da manhã do dia 20 de julho de 2007. Em decorrência da falência múltipla dos órgãos, ACM ou cabeça branca como era conhecido popularmente, deixa para traz o cenário político brasileiro, juntamente com os amigos, familiares e as pessoas que tanto o admiravam.
A Bahia, terra que tanto amava está de luto. Infelizmente para uns e felizmente para outros ACM deu adeus à menina dos seus olhos, a terra de todos os santos. O corpo do atual senador será removido hoje de São Paulo do Incor, para o estado baiano onde será realizado o velório no palácio da Aclamação e o enterro no cemitério do Campo Santo.
Antônio Carlos Magalhães nasceu na cidade de Salvador, em quatro de setembro de 1927. Ingressou cedo na carreira política, começando a traçar seu caminho no movimento estudantil. Foi gremista no Colégio Central, e também membro do Centro Acadêmico (C.A) e Diretório Central dos Estudantes (D.C.E) enquanto cursava medicina na Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Apesar de ser engajado na política desde muito cedo, o primeiro cargo político de ACM só foi conquistado em 1954, quando conseguiu ser deputado estadual pela UDN. Depois de quatro anos, foi eleito novamente pela UDN, mas desta vez o cargo contemplado era de deputado federal.
Quando conseguiu ser reeleito em 1962, ajudou na articulação do golpe militar de 1964. E 1966, foi reeleito a deputado federal, filiado agora a ARENA, partido que apoiava a ditadura. Em 1967, tornou-se prefeito de Salvador por eleições indiretas, mas três anos depois pediu afastamento para sair candidato a governador do estado, assumindo o cargo em 1971 a 1975. Ainda no mesmo ano ACM foi nomeado por Garrastazu Médici, presidente da Eletrobrás.
Conseguiu ser eleito também, governador do colégio eleitoral do estado, tomando posse em 1979. Em 1985, ano de governo de Tancredo Neves, assumiu o cargo de ministro de estado das comunicações. No ano seguinte, ajudou a fundar o Partido da Frente Liberal (PFL) e lançou candidatura ao governo do estado da Bahia, mas perdeu as eleições para Waldir Pires.
Contudo conseguiu assumir a governadoria do estado novamente, em 1991 ao derrotar Roberto Santos nas urnas. Afastando do cargo três anos depois para concorrer a uma vaga no senado, conquistou a presidência do mesmo em 1997, com a derrota de Íris Rezende. Em 2001, ACM renunciou ao cargo depois de ser acusado de violar o painel do senado. Entretanto, foi reeleito senador um ano depois do ocorrido, conseguindo um número de votação recorde na Bahia.
Durante toda essa trajetória Antônio Carlos Magalhães permaneceu mais ou menos 16 anos no poder do estado, perdendo seu império com a eleição de João Henrique para prefeito de Salvador e Jaques Wagner o governador da Bahia.

Jéssica Brandão

Nada ficou no lugar,
depois daquele dia,
que fomos embalados pela onda do mar,
o meu corpo se entregou tolamente ao amor.

O sol brilhando,
anunciando mais um nascimento,
finalmente agregou os nossos destinos à paixão,
ao desejo, a saliva, ao abraço e ao tesão.

Filhos do amor,
Entreguei-me com ardor,
No ensejo de me afogar nos teus beijos.

Talvez e eu não anulo esta possibilidade,
‘Afrodite’ esse é o nome,
que brincou com as nossas verdades.

Jéssica Brandão

Foto de Harry How/Getty imagens

Ansiedade, a palavrinha que me agoniou esse tempo todo em quanto eu esperava a abertura dos jogos Pan-americanos. Infelizmente, hoje eu tive que assisti este grande evento das Américas no sofá da minha casa, em frente aquela antiga imagem televisiva que me fez viajar através do Rio de Janeiro, admirando inicialmente a multidão que animava o estádio do Maracanã.
O estádio lotado por pessoas que estavam tão ansiosas quanto eu, por um minuto fico revoltada com o elitismo presente no Maracanã, mas no mesmo instante decido curtir a festa e me animar como todo brasileiro ‘patriota’. Cidade maravilhosa, Rio de Janeiro, o estado brasileiro escolhido para sediar os jogos do Pan, este sim brilhava tanto quanto o Cristo redentor, uma das sete maravilhas do mundo.
A festa programada para começara as 17h30 teve lá seus atrasos, como qualquer grande festa não é mesmo? Entretanto, isto era apenas um detalhe que logo seria esquecido e abafado pela abertura dos jogos americanos. Elza Soares, viúva de Mané Garrincha, está sim emocionou o Brasil, ao falar dos bosques que tem mais vida, ao cantar o Hino nacional brasileiro. Sem dúvida todo o espetáculo foi digno de aplausos e lágrimas, desde o amanhecer dos nossos campos até a calçada do bairro de Copacabana.
O Brasil realmente Viveu e sentiu esta energia emanada do Maracanã. A festa impecável do Pan, felicitou a muitos e entristeceu a poucos. As vaias de protesto direcionadas ao Presidente da República Federativa do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, não foi apresentação merecedora de elogios, por mais problemas que o país o tenha. A soberania nacional ficou degradada em rede televisiva, os protestos devem e podem acontecer, mas uma cena como esse marca a falta do espírito esportivo que um evento como esse tende a ressaltar.
Os jogos estão oficialmente abertos e o Pan acaba de começar, são 17 dias aflições e alegrias que nós brasileiros teremos. Viva essa energia.

Jéssica Brandão

Transporte coletivo é uma das maiores necessidades dos centros urbanos e das grandes metrópoles. Advento da construção do sistema capitalista, funciona como veículo de locomoção das cidades, para transportar as pessoas em maiores distâncias e num prazo de tempo menor. Os transportes urbanos, tais como ônibus, vans, metrô, trem, dentre outros, são utilizados pela população como meio de locomoção para o trabalho, a escola e até mesmo para o lazer.

Hoje os transportes públicos da cidade de Salvador vivem numa situação caótica, por não existir uma manunteção adequada. Eles andam sujos, velhos, quebrados, lotados, com uma frota inferior à quantidade de pessoas existentes. Os empresários, pensando somente na questão do lucro, baseados na lei da oferta e procura, diminuem a qualidade do produto vendido e passam a ganhar muito mais.

A questão capitalista faz com que eles quebrem a lei orgânica de Salvador, desrespeitando a população. Segundo o site da CMI Brasil, “o transporte coletivo deverá ter uma tarifa condizente com o poder aquisitivo da população” (art. 238), e “os planos de transporte devem priorizar o atendimento à população de baixa renda” (art. 241, I). Infelizmente, não é isso que acontece: a qualidade dos serviços cai a cada dia, e a exclusão das camadas mais pobres nos serviços públicos aumenta progressivamente, além do desrespeito com a população que tem que usar esse tipo de serviço nas condições que os grandes empresários impõem.

Geralmente, o aumento acontece e nada pode ser feito, simplesmente porque a população necessita deste tipo de serviço. O pior é que os cálculos do aumento são feitos com base na proporção de bancos que existem dentro de um ônibus, isso nos remete a pensar onde é que ficam as pessoas que andam nos ônibus lotados.

  O surgimento da consciência política 

“Um, dois, três, quatro, cinco, mil ou baixa a tarifa ou paramos o Brasil”. Foi assim que, aos poucos, a massa estudantil engarrafava os pontos centrais da cidade de Salvador, no final do mês de agosto de 2003, quando a capital da Bahia anunciava mais um aumento na passagem dos transportes públicos.

Mostrando como sempre toda a disposição juvenil, os estudantes da Bahia saíam às ruas para reivindicar um beneficio arrancado da população, o direito de ir e vir parecia que seria abolido da constituição brasileira de 1988.

Nada parecido com o movimento das Diretas Já, nem com os Caras Pintadas que defendiam respectivamente, o fim da ditadura militar com abertura política do país e o Impeachment de Fernando Collor de Melo. Entretanto, era um movimento forte, consolidado nas bases destes movimentos estudantis, e como tal, unia forças para reivindicar um direito retirado não só dos jovens e das crianças, mas um direito retirado dos seus pais que vivem na miséria de um estado que não lhes dá oportunidade.

   “Bloqueavam o direito de ir e vir dos motorizados, para mostrar o que significava o seu próprio direito de ir-e-vir, suspenso com a suspensão da meia-passagem”.[1]   

Após esses dois movimentos: Diretas Já e Caras Pintadas, a sociedade brasileira cogitava a idéia de que os jovens estavam desinteressados pela situação política do país. Em uma das suas canções, Renato Russo expressa essa idéia perfeitamente quando afirma que “há tempos são os jovens que adoecem”, entretanto a revolta do buzú vem quebrar este rótulo criado pela sociedade. E eles, mais uma vez, seguem a música do intérprete Zé Ramalho: “Somos todos soldados armados ou não, caminhando e cantando e seguindo a canção”, destruindo com o estereótipo construído pelas estruturas de poder para calar e controlar a sociedade de massa.

   “A repercussão destas mobilizações no Brasil deixou nos estudantes a certeza da sua responsabilidade histórica e uma consciência política conquistada na prática, além de, principalmente, a importância das ruas como o cenário natural de protestos”.[2]  

A revolta do buzú de 2003 surgiu num estado pobre, marginalizado pelo preconceito de ser uma região nordestina, que não possui condições suficientes para sobreviver. É com essa pauta que surge um “tapete” de estudantes nas principais avenidas de Salvador, engarrafando o trânsito e parando a cidade. Protestando contra o aumento da tarifa dos ônibus e lutando por direitos estudantis dos alunos, que eram negados por uma questão lógica de mercado.

A mesma massa de manipulação criada pelo poder e pelos elementos adventos da indústria cultural, sai às ruas para quebrar a idéia de que os jovens da sociedade brasileira são adolescentes modelados a partir dos vários da novela Malhação, programa exibido na Rede Globo de televisão. É assim que o movimento social quebra este rótulo de alienação abalando totalmente a estrutura de oclocracia[3], existente no Estado da Bahia liderada na época por Antônio Carlos Magalhães (ACM).

   “O homem encontra-se em poder de uma sociedade que é manipulada a seu bel-prazer: o consumidor não é soberano, com a indústria de cultura queria fazer crer, não é o sujeito, mas o seu objeto”.[4]   Organização do movimento 

A organização deste movimento foi fundamental para o crescimento dos protestos e a simpatia da população. Os pilares das reivindicações se consolidaram pela descentralização de uma liderança fixa, todos os estudantes eram os líderes dessa luta, todos sabiam o que queriam, como queriam e por que queriam. Estudantes de todos os colégios se uniam, sejam eles de escolas públicas ou particulares, juntos num ideal maior de igualdade social.

   “Desde o movimento estudantil de 1967-1968, não se via nada igual, em termos de pioneirismo e disposição para ação. Agindo de forma festiva e criativa, livres da tutela da esquerda, aqueles meninos simplesmente pararam a cidade”.[5]  

Em meio a milhares de estudantes secundaristas que deram início aos protestos, encontrava-se também os que integravam as entidades estudantis como a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Associação Baiana de Estudantes Secundaristas (ABES), a União Baiana de Estudantes Secundaristas (UBES), dentre grêmios, C.As, D.As e D.C.Es, além dos militantes de vários partidos de esquerdas: PCdoB, PT, UJS, PSTU, anarquistas e anarco-punk. Todos estes que integravam a Revolta do Buzú, hoje brigam entre si para receber os créditos de quem iniciou a organização da manifestação, mesmo que, de certo modo, todos tenham colaborado para o processo de reconhecimento do movimento.

A questão da liderança é questionada até hoje em 2007, entretanto os estudantes afirmam e lembram que foi justamente o fator de não existir nenhuma liderança na época que manteve todas as crianças juntas e organizadas, confundindo o governo e dificultando o término dos protestos através da repressão policial. Foi a falta de liderança que manteve o movimento na estrutura definitiva e conhecida pela população. E foi a descentralização dos protestos que confundiu e atrapalhou o trabalho policial. A manifestação não acontece num semáforo, ou numa faixa de trânsito específica, ela aconteceu em diversos pontos estratégicos de Salvador. Iniciou-se, na estação da Lapa, mas seguiu pela Avenida Paralela, Sereia de Itapuã, bairro Costa Azul, dentre outros pontos urbanos onde os estudantes se uniram para engarrafar todo um bairro e assim parar a cidade.

  As reivindicações da revolta do Buzú 

A primeira revolta do buzú surgiu em função do reajuste que os empresários pretendiam dar no aumento da passagem dos ônibus. O valor da tarifa passaria de R$ 1,30 para R$1,50 em menos de um ano. Em função deste aumento, iniciou-se este movimento estudantil. Durante os protestos, os estudantes acrescentaram outras pautas de reivindicação para lutar, além do congelamento da tarifa durante um ano, entrava em pauta também a extensão de meia-passagem aos estudantes de pós-graduação, mestrado e doutorado, a utilização do cartão de meia-passagem no domingo, feriado e durante o período de férias, o uso do smart-card no transporte complementar, a revitalização do conselho municipal de transporte, a comissão mista de redução da tarifa e a transferência do gerenciamento do smart-card para o poder público.

   “Foram atendidas às reivindicações históricas dos estudantes, mas o valor da tarifa (o que levou os estudantes às ruas) não foi modificado”.[6]  

As negociações com a prefeitura aconteceram em meio às lideranças estabelecidas por algumas entidades estudantis e representantes do movimento estudantil secundarista. Os alunos entretanto não legitimaram estes representantes durante o movimento e praticamente quebraram laços com tais entidades. O acordo assinado no dia 2 de setembro entre entidades estudantis, e a prefeitura de Imbassahy, foi rompido pela massa estudantil que continuou nas ruas mesmo depois de ganhar os benefícios implantados no novo sistema do smart-card. Assim então começou a história de desmoralização das entidades estudantis, que demonstraram satisfação ao assinar o “acórdão do dia 2”. Eles não imaginavam que não conseguiriam conter o movimento, e que os estudantes secundaristas seguiriam com a luta contra o aumento da tarifa dos transportes públicos, dando continuidade às manifestações, que seriam maiores e mais intensas daí por diante.

   “Na assembléia do dia 04 de setembro, uma das cenas mais marcantes, no meio do tumulto da guerra pelo microfone, foi ver um menino que não devia ter entre dez a doze anos gritando: ‘ENQUANTO VOCÊS TÃO AQUI BRIGANDO IMBASSAHY TÁ LÁ FORA AUMENTANDO A PASSAGEM, RUMBORA PRA RUA!!’ Não se sabe ainda qual o efeito da Revolta do Buzú sobre gente tão jovem, mas a experiência de ter quase todo o trânsito da cidade sob seu controle imediato e de reivindicar através de meios radicalizados, tão marcante para estudantes mais velhos, certamente mostrará seus efeitos com o passar dos anos.” [7]  

Mesmo após o acordo fechado entre a prefeitura e as entidades, os alunos continuavam nas ruas, mostrando força, vontade e determinação, o que eles queriam eram a redução da tarifa de transporte. Contudo a determinação destes jovens, começou a ser vista com antipatia por parte da população soteropolitana. E essa mudança de lado por parte da população deu crédito ao governo para mandar controlar o movimento, com apoio policial.

  Porrada, desrespeito e brutalidade 

Depois do acórdão fechado no dia 2 de setembro, os alunos se revoltaram com os “supostos líderes” e, como resposta, continuou com o movimento social organizado. O trânsito continuava parado, os estudantes continuavam a sentar nas faixas logo abaixo dos semáforos, enfim, os protestos continuavam com toda força.

Entretanto, com o acordo assinado e o compromisso estabelecido, a prefeitura tinha agora todo respaldo para controlar a “balbúrdia”. Com argumento feito e o apoio da mídia consolidada, a polícia controlava brutalmente os estudantes. E quebrava, assim, mais dois itens da Constituição de 1988: “ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante” (Art. 5, III), “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” (Art.5, IX).

Os estudantes começavam agora a ser privados das suas atividades intelectuais e artísticas.  Para colocar a cidade em ordem, era necessário deter a desordem. A polícia civil e a Choque detiveram o movimento social com toda a força e brutalidade da qual dispunham. Muitos estudantes foram submetidos a tratamento degradante, outros foram detidos para que a manifestação fosse controlada de qualquer maneira. No documentário de Carlos Pronzato, a “Revolta do Buzú”, ele mostra alguns casos de agressão policial que aconteceu nas passeatas. Uma estudante procurando fotografar o momento dos protestos foi submetida à força do cassetete, chutes e arrastão, além de ter tido sua câmara brutalmente confiscada.   “É falsa a suposição segundo a qual a tortura é praticada em defesa da sociedade. Ela é instrumento do estado, não da lei. Pertence ao episódio fugaz do poder dos governantes e da noção que eles têm do mundo, e sobretudo de seus povos. Oficiais-generais, ministro e presidentes recorrem à tortura como medida de defesa do Estado enquanto podem se confundir com ele. Valem-se dela, em determinados momentos, contra determinadas ameaças, para atingir objetivos específicos”.[8]  

A Revolta do Buzú caminhou por terrenos perigosos. Passeatas à margem do poder, que utilizou a força para controlar crianças que protestavam por um direito que o Estado lhes queria negar.

 Mídia e distorção da realidade 

“TV Bahia, mentira todo dia, TV Bahia, mentira todo dia”, nestas palavras de ordem dos secundaristas, a cidade mais uma vez ficava atenta para saber o quanto a mídia deturpava as verdades. Durante todos os 10 dias de manifestação, a mídia malmente mostrava as paralisações que aconteciam, salvo exceções do começo dos protestos, do acordo assinado pela prefeitura e do fim do movimento.

“A manifestação começou com pouco mais de 150 alunos e logo ganhou apoio da população”.[9] 

 

Os impressos que eram exceções nesta época: A tarde, Correio da Bahia e Tribuna da Bahia, aumentou seu status refere à audiência e comercialização dos jornais. A emissora de Antônio Carlos Magalhães, TV Bahia, filial da rede Globo manteve a sua postura conservadora como sempre. Os jornais televisivos e de âmbito nacional como: Bom dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal Nacional e Jornal da Globo, passavam somente alguns flashes da cobertura, como fez na época das Diretas Já.

Todo esse “jogo” de manipulação é mais um modo usado pela mídia e pela indústria cultural para influenciar e massificar a população. As edições de cada programa são feito explorando as imagens que beneficiam os donos das emissoras, o que é noticiado em uma televisão, no rádio, na internet, nos jornais ou nas revistas sempre passa por uma “censura” prévia, não explicitamente como na Ditadura Militar, mas de uma forma mais sutil e disfarçada.

A apresentação televisiva do movimento estudantil à frente da sociedade, logo após as assinaturas do acordo fechado entre entidades estudantis e a prefeitura, foi de uma imagem de bagunceiros, alunos que não queriam estudar e que causavam baderna no trânsito da cidade. Foi por essa cobertura distorcida dos fatos e pelo longo tempo de protesto que a sociedade começava a desacreditar na Revolta do Buzú.

  Adesão do movimento universitário 

Os estudantes secundaristas começaram a Revolta do Buzú sozinhos, com a cara e com a coragem, diferentemente dos Caras Pintadas que iniciaram todos os protestos com a adesão do movimento universitário. A manifestação contra o aumento da passagem em Salvador partiu das crianças como foi dito anteriormente, e somente ao final da revolta do buzú a massa dos estudantes universitários aderiu à questão totalmente.

Infelizmente, todas as tentativas para reforçar os protestos foram em vão, os estudantes já haviam perdido a causa depois do acordo fechado com a prefeitura. As manifestações, mesmo que intensas e com a quantidade de alunos envolvidos, não foram o suficiente para reduzir a tarifa de transporte.

  Conclusão 

A primeira Revolta do Buzú foi um grande passo de mobilização social, que trouxe de volta reconhecimento ao movimento estudantil na Bahia e no Brasil. Depois dos protestos realizados em prol do aumento da tarifa de ônibus, os estudantes do país seguiram exemplo e foram à luta. A Revolta da Catraca, que ocorreu em Florianópolis, foi inspirada nesta manifestação e hoje serve de exemplo para outros protestos que acontecem pelo país.

Os estudantes conseguiram trazer de volta toda a força e coragem que identificava o movimento estudantil. O estereótipo do jovem “Tô nem aí”, massificado com a música da cantora Luka ficou para trás. Mesmo que a passagem não tenha sido reduzida, os estudantes de Salvador lembraram mais uma vez de falar de flores, seguindo trechos importantes da música de Zé Ramalho, “aprendendo e ensinando uma nova canção”, e mostrando que, apesar da alienação intelectual acontecer por adventos da indústria cultural, o alunado ainda possui disposição para modelar politicamente a cidade quando é necessário.

 


[1] RISÉRIO, Antonio. Uma história da cidade da Bahia. 2º ed. Rio de Janeiro; Versal, 2004. p,593.

[2] Revolta do Buzú, 2003, 70 min. Diretor: Carlos Pronzato.

[3] Abuso do uso de poder, das instituições de governos que são reconhecias como democráticas.

[4] WOLF, Mário. Teoria da comunicação. 6º ed. Lisboa; 2001, p.86.

[5] RISÉRIO, Antonio. Uma história da Bahia. 2º ed. Rio de Janeiro; Versal, 2004, p. 592.

[6] Revolta do Buzú, 2003, 70 min. Diretor: Carlos Pronzato.

[7] Revolta do Buzú. Disponível em http://www.arteeanarquia.xpg.com.br. Acesso em 12, 13,15 e 17 de maio de 2007

[8] GASPARI, Elio. A ditadura escancarada. São Paulo; Companhia das letras, 2002, p.25.

[9]A tarde. Jornal de Salvador (BA), 03 de setembro de 2004.

Brasão Baiano

Brasão de armas baiano

Dois de julho, hoje o sol se iluminou muito mais na Bahia, é uma pena que no resto do mundo o brilho e o significado não sejam o mesmo. As 9h da manhã saia da lapinha um cortejo de pessoas, que desejam ardentemente relembrar o grito de liberdade dado pelo exército e a marinha brasileira no ano de 1823, quando finalmente a Bahia conseguia a separação definitiva do Brasil do domínio de Portugal
Numa mistura de protesto e comemoração as pessoas se agrupavam em torno do cortejo, acompanhando a caminhada ao som de bandas e fanfarras que animavam a festa. Da lapinha ao pelourinho as manifestações de alegrias e tristezas eram inúmeras, desde os professores que dão continuidade a greve das escolas públicas, até os soteropolitanos que demonstravam insatisfação a gestão do atual prefeito João Henrique. Entretanto parte da manifestação era abafada pela alegria das crianças e pelos ruídos expressados pelos turistas que estão a passear pela cidade.
O percurso se envolvia num misto de felicidade e euforia. As casas e as ruas enfeitadas, ressaltavam a beleza da cidade e os problemas que assolam o nosso estado. Os fogos de artifício se agitavam aos céus, em uma mistura contagiante dançando ao som do hino nacional e da música baiana. Toda a festa relembrava mais uma vez os refrões presente no hino do 2 de julho, que reafirma que nossa pátria hoje é livre: para cantar e protestar.
Mais um ano e uma comemoração se passou. As vitórias e as percas ficam na memória, o povo baiano reafirma a sua glória. Unidos na riqueza e na pobreza, determinados a seguir o sol por causa de alguns sentimentos: Liberdade, alegria e fraternidade. Independência ou morte, viva a independência da Bahia.

Jéssica Brandão

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Nasce o sol a 2 de julho
Brilha mais que no primeiro
É sinal que neste dia
Até o sol é brasileiro
Nunca mais o despotismo
Regerá nossas ações
Com tiranos não combinam
Brasileiros corações
Salve, oh! Rei da Campinas
De Cabrito e Pirajá
Nossa pátria hoje livre
Dos tiranos não será
Nunca mais o despotismo
Regerá nossas ações
Com tiranos não combinam
Brasileiros corações
Cresce, oh! Filho de minha alma
Para a pátria defender
O Brasil já tem jurado
Independência ou morrer

Composição: Landislau dos Santos Titara, José dos Santos Barreto