Acordo todos os dias dos meus sonhos, através de um barulho conhecido do despertador. Levanto da minha cama macia, perfumada por alfazema e direciono-me ao banheiro, realizo toda a minha higiene pessoal, me visto, tomo o café da manhã, pego tudo que é necessário, calço os meus pés e, finalmente, abro a porta para a minha jornada matutina.
Degrau por degrau, descendo as escadas segurando o corrimão, posiciono-me para abrir e fechar o portão de madeira, que é demasiadamente grande para a minha pessoa. O sol aos poucos devolve toda a energia necessária para uma caminhada de 10 minutos. Andando pelo condomínio, observo as casas de tamanhos e cores diversificadas, que representam o perfil pessoal e financeiro dos respectivos proprietários. Ao longo do percurso, os vizinhos passeiam com os cães, outros saem para o trabalho, ou para as escolas, todos imersos em suas obrigações. Passo pelo segurança e talvez de todos os presentes na redondeza ele seja o mais cego, por olhar todos os dias as mesmas casas, pessoas, cachorros e gatos, só podendo variar as observações quando visitantes se direcionam a uma das muitas residências da Colina de Itapuã.
Descendo uma ladeira e atravessando uma ponte, observo o que antes já foi chamado de rio, acho graça do castelo que se posiciona de frente para ele, que só pode contemplar uma beleza inexistente, morta pela ação do homem.
Chegando ao ponto de ônibus, espero pacientemente pelo meu inferno astral, Estação Mussurunga. Depois de um longo tempo de espera, a condução chega e eu estendo a mão fazendo indicação para parar. Subo na condução que, no presente momento, está lotada com todas as cadeiras ocupadas, espero pelo menos que uma alma piedosa se ofereça para segurar a minha pasta, não foi desta vez. Ruim pra mim e pior para ela que vai sentir minha bolsa em constante movimento até a estação.
Quando desço do ônibus, me deparo com centenas de pessoas, esperando em filas quilométricas para que, daqui a alguns minutos, sejam levadas para o destino social. Despertando da minha distração, corro para a plataforma Lapa que está com o ônibus prestes a sair, pro meu azar, minha correria foi em vão, terei que esperar o Ribeira desta vez. Chegando o ônibus que está mais uma vez lotado, vou para a faculdade com meu olhar direcionado como sempre para o lado do Bairro da Paz, da FTC e do condomínio Alphaville. Um ponto antes do que eu desço , realizo um malabarismo corporal até a saída do coletivo.
Enfim chego à portaria da faculdade e, como é muito cedo, preciso entrar pela entrada direcionada para carros. Sem dar devida importância ao lago da Jorge Amado, ando pelo passeio por de baixo dos coqueiros, ouvindo o som produzido pelos pássaros, patos, galos, perus e pavões. Passo direto pelo prédio principal e ando por um caminho decorado por plantas, vasos e outros artigos destinados à jardinagem e decoração, entretanto este momento passa rapidamente sob o peso do meu olhar, pois sigo em direção ao segundo prédio, lá, sim, é minha morada matutina.
Subo a escada principal e passo pelo pátio, que, durante o intervalo, fica demasiadamente pequeno para as pessoas que estudam e trabalham no local. Atravesso as catracas abertas e, desmotivada pela preguiça matutina, sigo meu caminho pelo elevador, aperto o botão do quarto andar e espero solitariamente a chegada do meu andar.
- Quarto andar. – anuncia a secretária eletrônica do elevador. – Subindo!
Saindo do mesmo, verifico as escadas e os painéis que estão no meio dos corredores azulejados e acinzentados, o banco ao lado da sala 4006 me convida para um descanso mental, penso na possibilidade, mas primeiro bebo água nos bebedores branquinhos e ando em direção à sala de aula, abro a porta de cor azul royal com uma vidraça, como disse um professor é a única que nos possibilita saber o que acontece nos corredores deste andar. O ar condicionado ainda está desligado, coloco minha bolsa e minha pasta na mesma cadeira de sempre, esta possui um braço para destro, é acolchoada e tem o estofado azul marinho. A localização me possibilita a visualização do quadro que não é negro e que possui laterais metálicas, acima dele está a tela reservada para o retro projetor, e, depois deste, existe uma placa simbólica das principais regras da sala de aula. Gradualmente a sala vai enchendo, os meus colegas vão chegando e, um por um, se organizando. A sala e faculdade começam a encher, as fofocas e o desfile preparam-se para começar, a sineta do Villa Lobos toca, indicando que, daqui a 15 minutos, as aulas irão começar, 7h30, os professores vão entrando nas salas de aula e os alunos também, é assim que o dia se prepara para começar
Jéssica Brandão